Como alinhar pautas em partituras

Este texto pretende demonstrar que as quatro formas de alinhar textos e pautas poder ser usadas, porém, subordinadas ao critério de evidenciar a natureza do conteúdo representado; ou seja, devem facilitar a sua leitura e compreensão. É como fazemos na Presto.

it-is-a-job_video

imagem do vídeo da música “It’s a job”, cujo excerto da partitura é analisado neste artigo

Pautas são o equivalente musical de linhas de texto

Em partituras, as pautas funcionam como as linhas de um texto. As linhas de um texto são alinhadas de quatro formas básicas: à esquerda (desalinhadas à direita); à direita (desalinhadas à esquerda); centralizadas (desalinhadas à esquerda e à direita); alinhadas à esquerda e à direita (“justificadas”) com ou sem hifenização.

Em partituras, as pautas funcionam como as linhas de um texto. As linhas de um texto são alinhadas de quatro formas básicas: à esquerda (desalinhadas à direita); à direita (desalinhadas à esquerda); centralizadas (desalinhadas à esquerda e à direita); alinhadas à esquerda e à direita (“justificadas”) com ou sem hifenização.

Em partituras, as pautas funcionam como as linhas de um texto. As linhas de um texto são alinhadas de quatro formas básicas: à esquerda (desalinhadas à direita); à direita (desalinhadas à esquerda); centralizadas (desalinhadas à esquerda e à direita); alinhadas à esquerda e à direita (“justificadas”) com ou sem hifenização.

Em partituras, as pautas funcionam como as linhas de um texto. As linhas de um texto são alinhadas de quatro formas básicas: à esquerda (desalinhadas à direita); à direita (desalinhadas à esquerda); centralizadas (desalinhadas à esquerda e à direita); alinhadas à esquerda e à direita (“justificadas”) com ou sem hifenização (sem, causa estes indesejáveis clarões).

O modo mais usado de alinhar as pautas é o jeito que para textos chamamos de alinhamento duplo (“justificado”)… sem hifenização. (Voltaremos ao tópico equivalente à hifenização.) A principal, senão única, vantagem deste método é ser comumente o mais rápido de se fazer. Talvez por isso e também porque os aplicativos editores de partitura só têm ele como padrão: não houve ainda em um Finale ou Sibelius a opção de com um clique alinhar tudo à esquerda, à direita ou quanto menos centralizar, o que é possível em qualquer editor rudimentar de textos. Não obstante alinhar nos dois lados sem hifenizar seja o método mais rápido, ele causa interferências negativas no fluxo de leitura terríveis, como os clarões citados acima, popular e famigeradamente conhecidos como caminhos de ratos. A associação com o roedor que ante um pequeno descuido humano vira peçonha, deveria argumentar suficientemente por si contra o malefício desses espaços flagrantemente artificiais que surgem entre as palavras. (Também poder-se-ia argumentar lembrando que quando o senhor Walt Disney usou um camundongo como personagem, ele tirou deste tantos traços de roedor quanto possível para manter a identificação com o animal retratado, substituindo tais traços por de bebês. Mas seria digredir demais. Voltemos.)

Perceba: uma_sentença_assim_equilibrada, quando esticada para os cantos, vira uma__sentença___assim,_com__espaços__desiguais___por_demais.

Ao se forçar que os compassos ocupem a totalidade do espaço horizontal, acontece o mesmo que com textos: surgem clarões indesejados. É por isso que tanto vemos esgarçadas notas que teriam mais ou menos as mesmas distâncias entre si se os compassos estivessem desalinhados de um ou dois lados ou se estivessem com o equivalente a uma forma de hifenização para música (há, como demonstrarei ao fim do artigo com o coral de Bach de título Aus Meines Herzens Grunde).

Além do problema de espacejamento (“espaçamento”), empurrar cega e surdamente os compassos para os cantos das margens muitas, vezes demais, ignora, oblitera a forma da música. É uma chance perdida de revelar uma novidade nas frases, é uma chance perdida de facilitar a leitura para o cantor, é uma chance perdida de trazer vivacidade para o “tecido” musical. É uma perda. Como exemplo, veja a canção It’s a job, do canadense Jon Lajoie. Ela é praticamente inteira composta de frases de quatro compassos que contém uma cesura a cada dois. “Justificar” sua partitura não só cria compassos monstruosos como obscurece a sua forma clara e simples de dividir as frases (que pode deixar de ser clara e simples por culpa do escriba de música). Observe, considerando que a distância entre as pautas e os sistemas deve ser pensada junto.

Alinhado à esquerda, tem-se as vantagens:

  1. de mostrar que as frases que duram quatro compassos são dimuídas à metade;
  2. que são interrompidas bem na metade da quadratura (ciclo de quatro compassos), o que pode-se observar vendo a localização dos dois compassos em relação à linha de cima com quatro.
it-is-a-job_a-erquerda.jpg

pautas alinhadas à esquerda

Alinhado à direita, mantém-se a vantagem 1, a de mostrar que que duram quatro compassos são dimuídas à metade, porém perde-se a 2, visto que o par de compasso termina erroneamente localizado embaixo do fim da frase de cima.

it-is-a-job_a-direita.jpg

pautas alinhadas à direita

Centralizado, mantém-se a vantagem 1. A vantagem 2, visualmente é relativizada, não necessariamente perdida: com um mínimo de dedução e lógica musical, entende-se o início e localização das frases. Porém, a depender do andamento, o que determina a velocidade da leitura, este alinhamento pode ser um complicador.

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pautas centralizadas

“Justificado”, é o pior dos casos: perde-se a vantagem 1, relativiza-se a 2, e causa-se o horror visual.

it-is-a-job_justificado.jpg

pautas alinhadas, empurradas, à esquerda e à direita

E na tentativa de se equilibrar o todo, destapa-se a caixa de Gambi Arra.

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Quando cada alinhamento é o melhor:

  • À esquerda – quando varia(m) demais a(s) quantia(s) de frases por linha varia demais e (ou) a de notas por compasso;
  • Centralizado – quando varia(m) eventualmente a(s) quantia(s) de frases por linha varia demais e (ou) a de notas por compasso;
  • À esquerda e à direita – o oposto dos dois casos acima: quando há pouca variação de duração das frases e (ou) compassos;
  • À direita – quando o compasso é anacrúzico (por exemplo, um compasso número zero consideravelmente grande).

Hifenizar em música é dividir compassos

O equivalente ao hifenizar uma palavra é dividir o compasso deixando parte em uma pauta (linha), parte na de baixo. Chamemos de hifenizar compassos. Hifenizar compassos é algo muitíssimo comum manuscritos, e também é comum – e bem-vindo – em música editada, notoriamente a música vocal pura ou acompanhada de instrumentos. Dividir compassos dentro de uma mesma pauta é um recurso menos usado, mas também útil, se usado com as reservas adequadas: usar para evidenciar a natureza do conteúdo representado, ou seja, para facilitar a sua leitura e compreensão.

Quando os compassos são divididos, hifenizados, é de bom tom sinalizar esta escolha editorial. Se a divisão é entre pautas, há duas opções: omitir as barras de dividão de compasso ou usar barras tracejadas.

aus-meines-herzens-grunde_invisivel

barras omitidas dos compassos laterais

aus-meines-herzens-grunde_tracejada

barras tracejadas

A opção pelas tracejadas é boa quando há uma clara separação musical, como no caso do coral, mas o uso misto, barras invisíveis e tracejadas, também é bom.

Mas quando a dividão é na mesma pauta, só se pode usar barras tracejadas, como destacado abaixo:

aus-meines-herzens-grunde_tracejada_detalhe

uso misto de barras

A música manda, o escriba reflete

Como magistralmente ensina Robert Bringhurst no seu livro Elementos do Estilo Tipográfico, é função da tipografia (terminologia entendida como todos os processos que levam à edição de um texto, muito mais que e não só o desenho de tipos) e, por antecipação, do tipógrafo, servir ao leitor. Desta forma:

“Servindo ao leitor (…), a tipografia, assim como uma performance musical ou uma produção teatral, deveria servir a dois outros dois: honrar o texto pelo que ele é (…) e honrar e contribuir com a sua própria tradição – a tradição da própria tipografia.”

Parta do pressuposto de que não há álibi para o erro. Claro que pode haver a necessidade de colocar mais ou o máximo de música no papel ou no “papel”, mas sempre haverá o imperativo do escriba negociar com a música o que pode, o que não pode e o que não é prudente ser feito. Ela manda, e a maioria será entendida com um cotejo, uma anamnese de rotina.

O pandemônio está ao mesmo clique de distância que a luz e a redenção. A maneira como tento fazer isso e recomendo, expus em outro ensaio.


Contrate a Presto para fazer a sua partitura, transcrição, música ou livro.

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